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Justiça do DF absolve Arruda em processo da Caixa de Pandora

Decisão também beneficia outros três réus. Tribunal considerou que gravações usadas como provas não poderiam ser aproveitadas no processo.

22/10/2026 15h43
Por: Pedro Amorim

A Justiça do Distrito Federal absolveu o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) e outros três réus em um processo por improbidade administrativa relacionado à operação Caixa de Pandora, escândalo político que veio à tona em 2009.

A decisão foi assinada na última terça-feira (13) pela 1ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).

O principal motivo da absolvição foi a impossibilidade de utilizar determinadas gravações como provas no processo. Segundo o juiz Teófilo Rodrigues Caetano Neto, essas gravações já haviam sido consideradas ilegais em outro processo e, por isso, não poderiam ser usadas novamente como prova.

A decisão não significa que Arruda foi absolvido de todos os processos relacionados ao caso. Ele já foi condenado em outras ações por improbidade administrativa ligadas à mesma operação.

Em nota, a defesa do ex-governador afirmou que considera a decisão justa e tecnicamente correta, por respeitar as garantias previstas na lei.

O que foi a operação Caixa de Pandora?

A operação Caixa de Pandora revelou, em 2009, um esquema de corrupção que ficou conhecido como “mensalão do DEM”.

As investigações apontavam que o governo de José Roberto Arruda teria distribuído dinheiro a deputados distritais para conseguir apoio político na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

O caso ganhou grande repercussão depois que imagens mostraram Arruda recebendo uma sacola com R$ 50 mil de Durval Barbosa, que ocupava o cargo de secretário de Relações Institucionais do governo e posteriormente colaborou com as investigações.

O vídeo havia sido gravado em 2006, mas foi divulgado em 2009, dando origem a uma série de investigações.

Na época, Arruda afirmou que o dinheiro seria usado para comprar panetones destinados a famílias carentes durante o Natal. Para explicar o recebimento, ele apresentou quatro recibos relacionados a supostas contribuições feitas entre 2004 e 2007.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os documentos foram produzidos de forma fraudulenta. Uma perícia realizada pela Polícia Federal apontou irregularidades nos recibos, e a impressora usada na produção dos documentos foi apreendida em 2010.

Absolvição não encerra outros processos

Apesar da decisão favorável neste processo, Arruda continua tendo um histórico de ações judiciais relacionadas à operação Caixa de Pandora.

Em setembro de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou o registro de sua candidatura ao governo do Distrito Federal, conforme informações divulgadas na época.

A absolvição anunciada agora se refere especificamente a este processo e ao uso das gravações consideradas ilegais como provas.

Pedro Amorim | Jornalista — DRT 4559/GO | TV Águas Lindas

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