A Justiça do Distrito Federal absolveu o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) e outros três réus em um processo por improbidade administrativa relacionado à operação Caixa de Pandora, escândalo político que veio à tona em 2009.
A decisão foi assinada na última terça-feira (13) pela 1ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).
O principal motivo da absolvição foi a impossibilidade de utilizar determinadas gravações como provas no processo. Segundo o juiz Teófilo Rodrigues Caetano Neto, essas gravações já haviam sido consideradas ilegais em outro processo e, por isso, não poderiam ser usadas novamente como prova.
A decisão não significa que Arruda foi absolvido de todos os processos relacionados ao caso. Ele já foi condenado em outras ações por improbidade administrativa ligadas à mesma operação.
Em nota, a defesa do ex-governador afirmou que considera a decisão justa e tecnicamente correta, por respeitar as garantias previstas na lei.
A operação Caixa de Pandora revelou, em 2009, um esquema de corrupção que ficou conhecido como “mensalão do DEM”.
As investigações apontavam que o governo de José Roberto Arruda teria distribuído dinheiro a deputados distritais para conseguir apoio político na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
O caso ganhou grande repercussão depois que imagens mostraram Arruda recebendo uma sacola com R$ 50 mil de Durval Barbosa, que ocupava o cargo de secretário de Relações Institucionais do governo e posteriormente colaborou com as investigações.
O vídeo havia sido gravado em 2006, mas foi divulgado em 2009, dando origem a uma série de investigações.
Na época, Arruda afirmou que o dinheiro seria usado para comprar panetones destinados a famílias carentes durante o Natal. Para explicar o recebimento, ele apresentou quatro recibos relacionados a supostas contribuições feitas entre 2004 e 2007.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os documentos foram produzidos de forma fraudulenta. Uma perícia realizada pela Polícia Federal apontou irregularidades nos recibos, e a impressora usada na produção dos documentos foi apreendida em 2010.
Apesar da decisão favorável neste processo, Arruda continua tendo um histórico de ações judiciais relacionadas à operação Caixa de Pandora.
Em setembro de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou o registro de sua candidatura ao governo do Distrito Federal, conforme informações divulgadas na época.
A absolvição anunciada agora se refere especificamente a este processo e ao uso das gravações consideradas ilegais como provas.
Pedro Amorim | Jornalista — DRT 4559/GO | TV Águas Lindas
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